12 de agosto de 2003


Pesquisador do CNPq assume comitê de seleção da Fundação Guggenheim

Indiano naturalizado brasileiro, o físico Sadhan Kumar Adhikari, radicado no Brasil desde 1976 foi convidado para integrar a seleta lista de membros do Comitê de Seleção da Fundação John Simon Guggenheim de Nova York. Prestigiada instituição, a Fundação oferece, desde 1925, bolsas para os melhores pesquisadores e profissionais do continente americano para desenvolver trabalhos criativos e originais em todas as áreas (ciências naturais, sociais, humanas e artes).

Adhikari será, em 2004, um dos cinco representantes a participar do grupo da Fundação Guggenheim que seleciona novos bolsistas da America Latina e Caribe. O físico, com pós-doutorado em Física Nuclear nos EUA e Australia e professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP), já foi bolsista da Fundação, vinha dando pareceres sobre candidatos inscritos e atualmente participa do seu Corpo Editorial. Esta é a primeira vez na história recente da Fundaçãoo que um sul-americano não residente nos Estados Unidos ocupa este posto. Isso é um reconhecimento internacional das pesquisas feitas no Brasil em diversas áreas, que, segundo Adhikari, chegou a um certo grau de maturidade.

Adhikari é pesquisador 1 A do CNPq e trabalha atualmente em pesquisas com “o condensado de Bose-Einstein” de átomos, no Instituto de Física Teórica da UNESP em São Paulo. Segundo o professor, este é um estudo muito novo e fascinante. O “condensado de Bose-Einstein” proposto teoricamente em 1924, só foi detectado no laboratório em 1995, nos Estados Unidos, e hoje só existem cerca de 30 laboratórios no mundo todo que trabalham com este material.

O objetivo é explicar e entender teoricamente os experimentos feitos com átomos frios e aprisionados em temperaturas ultra baixas (da ordem de nano Kelvins). Segundo o professor, o estudo implica em analisar os átomos em uma fase pouco conhecida, na qual o condensado possui propriedades únicas. “Submetendo a matéria a temperaturas de cerca de –273 grau C obtemos uma nova fase, o condensado, que tem como característica a formação de um super fluido, que não obedece as regras clássicas, mas sim as quânticas”, explicou o professor. “Com isso, conseguimos um átomo praticamente parado, que tem velocidade de cerca de 1cm/s, enquanto na atmosfera, sua velocidade é de 1km/s. Isso possibilita a primeira oportunidade para observar e estudar um sistema quântico macroscópico em laboratório”, completou.

A aplicação destes estudos com átomos frios deu origem ao relógio atômico capaz de medir o tempo com exatidão (com uma precisão de 1 segundo em 1 milhão de anos), o que é muito útil em diversas pesquisas científicas e poderão gerar o computador quântico, muito mais rápido e preciso do que um computador convencional.

Mariana Galiza
Assessoria de Comunicação Social / CNPq